Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro
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Novidade Teórica na Defesa Polugaevsky (B96)
Por Luiz Roberto G. da Costa Júnior

        A Defesa Polugaevsky surgiu em 1959, durante a final do Campeonato Soviético, quando após a seqüência 1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Bg5 e6 7.f4, o GM Polugaevsky jogou 7...b5!? contra Suetin e Nikitin. Depois de muitos anos, concluiu-se que lances como 8.a3, 8.Df3, 8.Be2 e 8.Bd3 não ofereciam vantagem às brancas. Portanto, a continuação natural seria 8.e5 dxe5 9.fxe5 Dc7, que é a posição-chave da Defesa Polugaevsky. As brancas agora podem continuar com 10.De2 ou 10.exf6. A primeira leva a posições complicadas após 10...Cfd7 11.O-O-O Bb7 12.Dg4 Dxe5 e agora as brancas podem seguir com 13.Bxb5, 13.Bd3 ou 13.Be2. Outra opção é 12.Cxe6!? em lugar de 12.Dg4. Entretanto, vamos nos aprofundar numa variante da linha 11.exf6 por uma simples razão: há uma novidade teórica que deveria ser melhor avaliada.

1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Bg5 e6 7.f4 b5 8.e5 dxe5 9.fxe5 Dc7 10.exf6 De5+ 11.Be2 Dxg5 12.O-O

        A outra variante é 12.Dd3 Dxf6 13.Tf1 De5 14.Td1 Ta7 15.Cf3 Dc7 16.Cg5 f5 17.Dd4 De7 18.Bh5+ g6 19.Dxh8 Dxg5 com compensação Hellers - Polugaevsky, Haninge 1989 - Informador 47/326.

12...Ta7

        Outra opção é 12...De5 13.Cf3 Bc5+ 14.Rh1 Dxf6 15.Ce4 De7 16.Ce5 f5 17.Bh5+! g6 18.Cxg6 hxg6 19.Bxg6+ Rf8 20.Cxc5 Th6! 21.Cxe6 Bxe6 22.Bxf5 Bf7! 23.Df3 Cc6 24.Be4 Ce5 (J. C. Díaz - Vera, Havana 1986 - Informador 41/296) 25.Dg3!? Td8 26.Tf4 com idéia de Taf1 com iniciativa.

13.Dd3 Td7 14.Ce4 De5 15.Cf3

        Leva à igualdade 15.c3 Bb7 16.Dg3 Dxg3 17.Cxg3 Cc6 18.Cb3 gxf6 19.Ce4 Be7 20.Cxf6+ Bxf6 21.Txf6 Re7 22.Tf2 Ce5= Bagirov - Polugaevsky, URSS (ch) 1960; 17...Tg8!? Polugaevsky.

15...Dxb2 16.De3 Bb7 17.a4

        Outras idéias são:

  1. 17.Tab1 Dxc2 18.Cfg5 Dc7! 19.fxg7 Bxg7 (Parma - Tatai, Atenas 1968 - Informador 6/566) 20.Cxf6+ Bxf6 21.Txf6 com jogo incerto Polugaevsky;
  2. 17.c4 Bxe4 18.Dxe4 Dxf6 19.Ce5 Bc5+ 20.Rh1 Td4 21.De3 Td5, com jogo incerto, Simovic - Vitolins, URSS 1961.

17...b4

        É inferior 17...Db4 por 18.c4 Bxe4 19.Dxe4 Dc5+ 20.Rh1 b4 21.Df4 Bd6 22.fxg7 Tg8 23.Dh6 Be5 24.Dxh7! Txg7 25.Dh8+ Re7 26.Cxe5 Dxe5 27.Dh4+! Dg5 28.Df2 com clara vantagem das brancas, A. Rodríguez - Stangl, Biel 1988 - Informador 46/337.

18.Tab1 Dxc2 19.Cfg5!

        Novidade Teórica, o lance foi proposto no artigo "A Defesa Polugaevsky em crise?" publicado originalmente, em espanhol, na revista colombiana Ajedrez Universal e, posteriormente, republicado no Brasil (versão em português, com acréscimos e partidas complementares, na revista gaúcha Mate de Peão). A Enciclopédia B (3 edição) considera como variante principal 19.Txb4 Bxb4 20.fxg7 Tg8 21.Cf6+ Rd8 22.Db6+ Rc8 23.Dxb4 Tg7 24.Df8+ Td8 25.Dxg7 Dxe2 26.Dxf7 =, segundo o GM John Nunn.

        A posição acima, após 19.Cfg5!, é atualmente o ponto chave da Defesa Polugaevsky, devendo-se ter cuidado na avaliação dos lances dos dois lados. As brancas possuem compensação pelos peões sacrificados, vantagem de desenvolvimento e possibilidades de ataque contra o rei adversário impossibilitado de rocar. As pretas devem jogar o mais correto possível e buscar os melhores recursos defensivos para salvar a posição. A situação das pretas é delicada, a palavra final da variante só virá quando alguém jogar a posição de pretas e convincentemente conseguir salvá-la no tabuleiro e depois nas análises.

        Aos amantes da Defesa Polugaevsky deixo aqui a minha contribuição do ponto de vista das brancas, resta agora achar a melhor resposta das pretas no diagrama acima. O estudo teórico e a pesquisa nas aberturas é um dos pontos importantes na preparação do jogador de xadrez. A posição acima serve como exemplo de que apesar de toda a teoria existente, o enxadrista sempre deve ter o próprio juízo a respeito de uma posição.